As cores fazem parte do nosso mundo e são fundamentais para o modo como o percebemos e sentimos.
Universo das Cores
As cores fazem parte do nosso mundo e são fundamentais para o modo como o percebemos e sentimos.
Universo das Cores
Há uma série de estudos sobre como as cores influenciam nossos sentimentos, ações e desejos, tamanha sua influência sobre nós.
Kandinsky, em sua obra “Do espiritual na arte” nos diz:
“Passem-se os olhos por uma paleta coberta de cores. Um duplo efeito se produz:
1º – Do ponto de vista estritamente físico, o olho sente a cor. Experimenta suas propriedades, é fascinado por sua beleza. A alegria penetra a alma do espectador, que a saboreia como um gourmet, uma iguaria. O olho recebe uma excitação semelhante à ação que tem sobre o paladar uma comida picante. Mas também pode ser acalmado ou refrescado como um dedo quando toca uma pedra de gelo (…)
2º – Quanto mais cultivado o espírito sobre o qual ela se exerce, mais profunda é a emoção que essa ação elementar provoca na alma. Ela é reforçada, nesse caso, por uma segunda ação psíquica. A cor provoca, portanto, uma vibração psíquica (…). Por exemplo, como a chama é vermelha, o vermelho pode desencadear uma vibração interior semelhante à da chama. O vermelho quente tem uma ação excitante (…)
Com maior razão, não é possível contentar-se apenas com a associação para explicar a ação da cor na alma. A cor, não obstante, é um meio de exercer sobre ela uma influência direta. A cor é a tecla. O olho o martelo. A alma é o piano de inúmeras cordas. (…)
É evidente, portanto, que a harmonia das cores deve unicamente basear-se no princípio do contato eficaz. A alma humana, tocada em seu ponto mais sensível , responde.” *
Este magnífico artista, tão importante para a arte abstrata, nos traz, no início do século XX, um estudo magnífico sobre a teoria das cores neste livro tão fundamental para o estudo da arte.
Mas esta percepção das cores também é social e cultural. Os índios brasileiros por exemplo, enxergam variações do verde muito mais do que a maioria de nós,assim como ocorre com os esquimós na percepção das tonalidades de branco.
Eva Heller, em seu livro “A Psicologia das cores – Como as cores afetam a razão e a emoção ”**, demonstrou que a combinação entre cores e sentimentos derivam do que vivenciamos desde a nossa infância, e que, o efeito psicológico que a cor exerce sobre nós está também relacionado ao contexto histórico e social que vivemos . Então é necessário observar o contexto onde estamos inseridos para que possamos entender os efeitos que uma cor pode nos causar. Cada sociedade atribui às cores conceitos e simbologias próprias que variam de acordo com a época. O vermelho por exemplo, é associado à energia, ao amor e à paixão nas culturas ocidentais e na Rússia, é associado ao comunismo. Portanto, pensando historicamente, ser associado à tal vertente política e ideológica, poderia não ser benéfico à alguns artistas deste lado do globo, ao passo que na Índia, a mesma cor é associada à pureza e à espiritualidade.
De acordo com este pensamento, arquitetos, designers, publicitários e decoradores, escolhem as cores que vão utilizar em seus projetos. Além de pensar nos significados da cor em si, analisam também a harmonia entre elas, ou seja, o modo como elas se combinam.
Cores harmônicas são aquelas que se combinam ou que justapostas, produzem certa atração. O círculo cromático ou círculo de cores é uma ferramenta que nos ajuda a escolher as cores e suas combinações.
O círculo cromático é uma representação das cores percebidas pelo olho humano, a partir das primárias e secundárias – de um modo mais simples – ou também com as cores terciárias, em uma representação mais completa. Ele é formado a partir das três cores primárias, magenta, azul ciano e amarelo (hoje em dia o conceito mais amplamente aceito utiliza magenta, azul ciano e amarelo como primárias e não mais vermelho, azul e amarelo, como classificou Leonardo da Vinci durante o Renascimento) e as secundárias, formadas pelas combinação das primárias, que são o verde (ciano + amarelo), o vermelho (magenta + amarelo) e o roxo (magenta + azul). No círculo de doze cores também aparecem as cores terciárias, formadas pela mistura de uma secundária e uma terciária, resultando no que também chamamos de tonalidades, como por exemplo, azul esverdeado. Ao misturarmos branco e preto a estas cores, obtemos infinitas tonalidades.
Representação do círculo cromático com doze cores:

Harmonia das Cores
Os tipos principais de harmonização:
- Harmonia monocromática: É aquela que resulta das variações tonais de uma mesma cor. É possível combinar a cor escolhida com as cores neutras, que são branco, preto, cinza e marrom.
- Harmonia análoga: É quando utilizamos uma combinação com uma primária e suas secundárias vizinha no círculo cromático. Nesta combinação, a primária é a cor dominante.
- Harmonia complementar: Esta composição utiliza cores que estão do lado oposto do círculo cromático. Geralmente utilizada para chamar a atenção.
- Harmonia meio complementares ou de complemento dividido: Neste tipo de composição utiliza-se uma cor e as duas tonalidades vizinhas da sua cor oposta. Muito popular entre os artistas, oferece grande contraste visual,embora menor que no esquema das cores complementares, mas conserva a riqueza das cores e apresenta mais harmonia.
- Harmonia dupla complementar: Aqui, a combinação é feita utilizando-se quatro cores, formadas a partir de dois pares de cores opostos entre si. Mas, nesta combinação, deve-se sempre escolher uma cor dominante para que a composição não fique desequilibrada.
- Harmonia triádica: Utiliza três cores que têm exatamente a mesma distância entre si no círculo cromático. É uma composição mais balanceada, com uma variação tonal mais rica, mas seu contraste é menor que o da complementar.
Foi pensando em todas estas combinações, que nós, da Galeria Veigalima, criamos a seção “cores”, onde você pode encontrar as obras pensando no espaço que elas irão compor.
Nota de rodapé: *Kandinsky, Wassily – “Do Espiritual na arte”, Martins Fontes, 2ª edição, 1996
**Heller, Eva- “A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão”, Editora G. Gili, 2018.
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